Eu tive um aneurisma cerebral

  • Esta advogada de 48 anos achou que ia morrer, encarou o seu problema de frente e hoje curte bem a sua vida, de alto astral, e mais saudável do que nunca. Tenho 48 anos, sou Advogada, e há mais ou menos dois anos e meio, descobri que era portadora de um Aneurisma Cerebral, ao fazer alguns exames na tentativa de descobrir a causa de um forte zumbido no ouvido direito, com uma pequena perda auditiva. A ressonância magnética feita em 10/02/2005 trouxe o terrível Laudo “Compatível com Aneurisma de Topo de Artéria Basilar” Obviamente, a reação do médico (otorrinolaringologista) ao verificar o laudo não foi das mais positivas, me aconselhando imediatamente a procurar um neurologista. Não quis acreditar a principio. Eu não sentia dores de cabeça, tinha uma vida muito ativa, trabalhava e me divertia como sempre, como poderia ter um Aneurisma Cerebral? Uma bomba relógio no cérebro? Decidi pela confirmação e em 26/03/2005, através de uma Angioressonancia se confirmou o Laudo de Aneurisma de Topo de Artéria Basilar com 0,7 cm, sugerindo que procurasse um neurocirurgião especialista em aneurismas cerebrais, para que novamente o laudo fosse confirmado através de Angiografia Cerebral. Neste ponto eu já estava apavorada. Meus amigos me olhavam com aquela expressão “pobre coitada, vai morrer”. Olhava-me no espelho, e não conseguia compreender, como poderia ser portadora de uma “morte silenciosa”, que poderia vir sem qualquer aviso. E como compreender as várias opiniões de profissionais? E foram muitos. Uns me orientaram a conviver naturalmente, como se não existisse, outros me diziam: “aneurisma? De topo de artéria basilar? Não existem profissionais no Brasil que o tratem. Esqueça e viva sua vida normalmente.” Angustiante. Só me restavam lágrimas solitárias. Foi aí que decidi deixar de sentir pena de mim mesma e lutar. Ora, se tive a oportunidade de descobrir um aneurisma antes do rompimento, porque não buscar ajuda? Após a confirmação do Laudo Médico, soube que não teria muitas opções. O Aneurisma estava lá, ameaçador, e eu tinha que optar em conviver com ele, ou erradicá-lo. O Neurocirurgião me informou que só a cirurgia seria a opção. Rejeitei a cirurgia imediatamente. Fui informada então de uma técnica utilizada com muito sucesso, chamada Embolização, que substituía a cirurgia. O método consistia em introduzir um catéter na artéria da virilha e através de monitor de TV, ele seria levado até o aneurisma, promovendo o seu bloqueio com Micro Molas de Platina. Este material não causaria reação, nem rejeição e seria definitivo e estava sendo utilizada pela equipe da Gavearad. Mas seria uma decisão delicada, pessoal e sem direito a arrependimentos. Uma decisão única onde minha vida estaria em jogo. Cabe aqui uma ressalva! Como é importante a confiança “médico-paciente”. Conversei, perguntei, resisti, pesquisei na internet, “enchi realmente o saco” com todas as minhas dúvidas, sofrimentos e anseios. Sabia que não teria garantias. Tive toda a atenção possível pela equipe médica. O Dr. Eduardo Wajnberg foi incansável e sempre me transmitiu carinho e confiança, bem todos os médicos de sua equipe, pois acho que eles tinham consciência da decisão difícil que tinha que tomar, e todos tiveram muita paciência comigo. Enfim, decidi, e em 11/08/2005, fiz a embolização. Fui para o hospital como se estivesse indo para um novo exame (aqueles chatos). Minha confiança foi total em toda a equipe. ISSO FOI O MAIS IMPORTANTE. A duração da Embolização foi, em torno, de duas horas e após, fui encaminhada para o CTI para acompanhamento e controle. Chato! Muito chato. (Afinal, ficar sem fazer nada por 12 longas horas………. afffff!) Senti um pouco de dor de cabeça nas primeiras horas e sinceramente, o que mais me incomodou, foi uma “terrível” agulha no meu pulso. Soube depois que a mesma servia para medir a pressão arterial. Muito chato. O tempo de internação foi reduzido (seria de dois a três dias), mas fiquei apenas 24 horas. Nem deu tempo para visitas. Afinal, quem quer receber visitas em hospital? Eu não queria. Quando penso em recuperação, penso em sentir dores. Bem, não sentia dores antes e não senti depois. Quando pensava nas “molinhas” sentia uma pequena pontada dolorida na cabeça. Apenas um pequeno desconforto, que desapareceu quando parei de pensar nelas. Acho que foi psicológico. Decidi não mais pensar nelas mesmo. Esqueci. Em dez dias, voltei ao trabalho. Teria voltado antes, porque me sentia muito bem, mas não tive permissão… Rsrsrsrs. Hoje, após dois anos e meio do procedimento cirúrgico, parece um “pesadelo” distante. Apenas um sonho ruim. Ainda faço exames de controle pós-embolização. Fiz nos primeiros 6 meses (descobri, que era o período mais delicado), depois a cada ano e não houve sinais de recanalização ou compactação das micro molas. Oclusão total. Minha vida? Normal e ativa como sempre foi. E feliz. Às vezes ainda penso que tenho alguns “parafusos” a mais na cabeça. Mas e daí? O importante é que a vida nos dá algumas oportunidades, e temos que aproveitar. A minha melhor oportunidade foi conhecer esta maravilhosa equipe que dedica sua vida em salvar vidas, com o menor desgaste emocional e físico possível.

    Diana Villar,
    Embolização